Created by potrace 1.16, written by Peter Selinger 2001-2019

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41º Congresso da Abrapp – Práticas ambientais, sociais e de governança

No período de 16 a 19 deste mês foi realizado, de forma online o 41º Congresso da Abrapp, que contou com a participação de conselheiro, dirigentes e integrante do Comitê de Investimentos da Funcorsan. Com o tema #VAMOSAGIR, foram abordados no evento as tendências para o mercado de Previdência Complementar, a gestão dos investimentos para 2021, enfatizando investimentos no exterior e o Tema ESG – sigla utilizada para denominar a adoção das melhores práticas ambientais, sociais e de governança e foram compartilhadas experiências.

Sobre o tema ESG, foram debatidos os riscos, as oportunidades, as expectativas da sociedade, o posicionamento de gestores de fundos de investimentos, a percepção da sociedade quanto as preocupações ambientais e a pressão sobre os políticos em todo mundo e que precisam responder de forma positiva a esta demanda da sociedade.

Esta demanda vem sendo apresentada como grande diferencial e as EFPC´s estão sendo convidadas para que façam sua adesão ao ESG, aportando seus recursos em investimentos alinhados a estes princípios. Da teoria à prática, tivemos no Brasil, nesta última sexta feira (20) o primeiro teste efetivo do funcionamento do processo ESG, e como veremos, ainda estamos distantes deste alinhamento entre discurso e ação.

Na véspera do feriado de Consciência Negra no Brasil, o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, por dois seguranças da rede de supermercados Carrefour, foi um teste para a credibilidade de indicadores que são utilizados como atestado de boas práticas corporativas em questões sociais e ambientais.

O caso brutal na unidade gaúcha é o ápice de uma sequência de relatos sobre discriminação, descaso e violência sob diferentes aspectos no Brasil com alguns casos obtendo grande repercussão. Em rápida busca na internet, temos reportados, no mínimo sete eventos de descaso da rede Carrefour com eventos de violência.

Ainda assim, quando pesquisamos, identificamos que o Carrefour ocupa lugar de destaque em alguns indicadores que são utilizados como atestado de boas práticas corporativas em questões sociais e ambientais. A rede, inclusive recebeu no ano passado o prêmio de melhor empresa do setor de varejo no Guia Exame de Diversidade, feito em parceria com o instituto Ethos.

Como tem capital aberto em Bolsa, as ações do Carrefour estão listadas na B3. E retomando o que falamos anteriormente sobre teoria e prática do mercado, na sexta-feira (20), as ações da empresa tiveram alta durante boa parte do pregão, mesmo com a Bolsa brasileira operando em queda. Os papéis do Carrefour Brasil fecharam em alta de 0,49%, enquanto o Ibovespa, índice acionário de referência na Bolsa brasileira, caiu 0,58%. Não era algo que refletisse o desempenho global do grupo, por exemplo. Na França, o Carrefour caiu 2,2%. A Bolsa de Paris subiu 0,4% no pregão. Na segunda-feira (23) o mercado reagiu de forma muito inversa, com queda dos papéis do Carrefour em mais de 6% já nas primeiras horas do pregão, na contramão do Ibovespa que operava positivo em quase 1%. Podemos depreender que o mercado não refletiu a falta de alinhamento aos princípios ESG, mas contabilizou as possíveis perdas financeiras advindas do risco de imagem.

“Levei dois socos na cara hoje, o primeiro pelo próprio fato de terem espancado um negro até a morte e o segundo pela falta de reação do mercado com relação ao fato”, diz Fabio Alperowitch, diretor da Fama Investimentos, especializada em gestão de fundos ESG, ao avaliar o caso do Carrefour. “Desse jeito, o ESG acabou por aqui antes mesmo de começar”.

Segundo Alperowitch, os investidores no Brasil ainda não se mostram maduros para tratar de questões relacionadas à diversidade e ao meio ambiente e entender que apenas o retorno financeiro de curto prazo não é suficiente para dar vida longa a uma empresa. (fonte Jornal Folha de São Paulo)

A rede de supermercado, por sua vez, de forma reativa e através de notas lamentou o ocorrido, reportou a falha para a empresa de vigilância terceirizada, informou o desligamento do colaborador responsável pela gerência da unidade e que daria todo apoio a família da vítima. Deste parágrafo precisamos destacar que a adoção das melhores práticas ambientais, sociais e de governança, pressupõem proatividade, inserção de toda a cadeia no processo e isto inclui terceiros, a preparação de seu quadro gerencial e funcional para mitigar os riscos de toda a natureza, em especial aqueles de caráter operacional pois deles derivam os riscos de imagem e seus reflexos.

Importante também registrar que a Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial no Brasil, que reúne 73 organizações signatárias, informou no sábado (21) que desligou o Carrefour da lista de empresas parceiras.

O Congresso da Abrapp, foi uma oportunidade de atualização do cenário nacional e internacional de previdência complementar, de aprendizado com as iniciativas de sucesso de outras EFPC´s, com erros e acertos do mercado internacional e de pensar de forma disruptiva. Trazemos na bagagem a certeza de que precisamos, todos – prestadores de serviços, empregados, gestores, membros de comitês, dirigentes e conselheiros – cada vez mais e de forma incessante, fortalecer as práticas da governança corporativa, da gestão de riscos, da ética, da transparência, do engajamento, da responsabilidade ambiental, mas especialmente da responsabilidade social. Somente desta forma seremos sempre uma EFC com o Futuro mais presente!

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